Organizada pela Universidade de Stanford, ação contempla anúncios publicados entre 1920 e 1950

São mais de quatro mil anúncios que mostram como a indústria tabagista dos Estados Unidos abordava os consumidores nos Estados Unidos entre as décadas de 1920 e 1950 e que integram a exposição “Vintage Ad Cigarettes", organizada pelo médico Robert Key Jackler da Universidade de Stanford. Ela chega ao Brasil em setembro, com cerca de 360 peças que estão definidas por uma curadoria. O local da exibição ainda está sendo definido.
A sugestão de trazer a exposição ao País foi da agência Nova S/B que, no ano passado, desenvolveu a campanha “Break the tobacco marketing net”, numa tradução livre “Quebre a rede global de marketing do cigarro”, para a OMS (Organização Mundial de Saúde), que contou com mídia gratuíta em todo o mundo (os espaços ocupados foram calculados em US$ 1 bilhão).
O Dr. Jackler, cuja mãe faleceu de câncer, fato que serviu de motivação para o seu estudo, autorizou a exposição para o mercado brasileiro, o primeiro fora dos Estados Unidos (já foi vista no The New York Public Library’s Science). O estado de São Paulo tem lei antifumo que começa a vigorar plenamente a partir do dia 7 de agosto e a capital, por iniciativa do prefeito Gilberto Kassab, está engajada.
Algumas peças da exposição exibem crianças presenteando mães com pacotes de cigarros. Dentistas eram arregimentados para corroborar títulos como “Eles nunca mancham os dentes”. Outros anúncios e cartazes recorriam a apelos como refrescância, estilo de vida, sociabilidade, esportes, família e até natureza. Hoje, não teriam espaço, mas é um retrato fiel da competência e eficiência do trade tabagista norte-americano nas propostas mercadológicas e de comunicação nesse período, na expressão do executivo Bob Vieira da Costa, presidente da Nova S/B.
O investimento nesse tipo de conteúdo foi uma alternativa que que as marcas de cigarro, como Marlboro e Pall Mall (esta até com Papai Noel em um anúncio), por exemplo, para combater termos como “caixa de pregos” e "tosse de fumante", usados pejorativamente pelo público como referência ao produto. Para inibir esse posicionamento popular, as marcas elaboraram plano promocional para o fumo ser visto como “uma prática benéfica através de autenticações como saudável e vigoroso”, usando como protagonistas cantores, atores e até atletas. Recentemente, o ator Silvester Stalone declarou que recebeu US$ 500 mil para fumar em filmes. A exposição, criada pelo Dr. Jackler, mostra como as empresas se defenderam dos ataques.
A exposição não tem objetivo restritivo. A ideia do Dr. Jackler é fazer paralelo do momento atual com o passado. Hoje, é politicamente incorreto programar nos canais de mídia peças publicitárias de cigarros com situações que encorajam o uso do produto. No Brasil, a publicidade de tabaco é proibida e as embalagens trazem textos e fotos constragedores para os usuários. O Ministério da Saúde promove campanhas regulares para inibir o uso, afinal o fumo é o principal agente do câncer de pulmão.
A OMS calcula que 1,2 bilhão de pessoas sejam fumantes em todo o mundo. A instituição ligada à ONU (Organização ads Nações Unidas) estima que 10 milhões de pessoas sofrem com câncer de pulmão, volume inferior apenas em relação aos infectados pela Aids.

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